"A igreja Universal tem uma grande dívida de gratidão para com todos os Monges" O Monaquismo,oriental juntamente com o ocidental, constitui um grande dom para toda a Igreja"(Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002). "O Monge é memória evangélica para os cristãos e para mundo" (Papa João Paulo II Rivola -Bulgária 27-05-2002)

Ano: IV Edição: Mensal N°:  XLVI  Mês: Agosto de 2007.

Informativo Oficial da Congregação Monástica de Santa Cecilia

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Pe. Inácio José do Vale - Professor de História da Igreja e da Teologia
O brilho e beleza mística de um trabalho resplandecem nas mãos de quem o faz orando.

APRESENTAÇÃO


Foi o grande amor a Igreja Católica Apostólica Romana que levou o Pe. Inácio José do Vale a pesquisar o surgimento de tantas “igrejas novas” e movimentos religiosos emergentes nas últimas décadas.

Colocando nas nossas mãos seu livro com certeza nos ajudará a refletir sobre este grande desafio que nos incomoda vendo que tantos irmãos nossos na Fé estão procurando outros caminhos nas mais variadas “denominações” que se dizem ser “coisas” de Deus.

Estas “denominações” intituladas “evangélicas” pela mídia menos informada, colocando-a todas no mesmo saco, já constituem mais de a metade da população do estado do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

Geralmente é na periferia das grandes cidades e nos ambientes mais pobres que este fenômeno mais se acentua. Em média há cinco “igrejas evangélicas” para cada Igreja ou Capela Católica. Os chamados “pastores” devem ser mais de 10 ou 20 para cada padre católico.

Com poucas exceções estes “pastores” foram católicos e seus seguidores, na grande maioria foram católicos também.

Este fenômeno apresenta dois aspectos marcantes: as grandes massas que se reúnem em templos enormes atraídos por líderes carismáticos que oferecem cura, alegria, paz, exorcismos, prosperidade, envolvendo as pessoas com técnicas de oratória eficientes para suas finalidades. O resultado é sempre a grande generosidade nas retribuições e ofertas destas pessoas “beneficiadas” por Deus.

O outro fenômeno é o surgimento de pequenos grupos em cada esquina ou cada cem metros nas ruas de periferia.

Geralmente estes pequenos grupos usam aparelhos de som bem barulhentos para atrair os transeuntes e dar impressão que há uma grande multidão ouvindo. Se esta tática não der certo dentro de algumas semanas ou meses o “ponto” será fechado e aberto em outro local.

Existe também a tática das pequenas células (igreja celular, projeto de Jesus...) onde se agregam dez ou doze pessoas que, no momento certo, irão se ajuntar para formar uma grande “nação”. O retorno financeiro é sempre garantido para seus donos ou idealizadores.

As táticas usadas em todos estes movimentos se inspiram quase sempre nos símbolos católicos e imagem bíblicas: a cruz, a fogueira, a água, o sal, o rebanho...

As únicas imagens proibidas são imagens de pessoas que nós, os católicos denominam santos ou santas. Esta é uma tática necessária para dizer que os católicos são idólatras e que, portanto, nem pensar em permanecer na Igreja Católica ou voltar para ela. Este “fundamentalismo” bíblico é usado também de outras maneiras... Desde que sirva para fazer a cabeça de seus seguidores.

A idolatria que Jesus condena é a do dinheiro, do prazer, da fama. As imagens de pessoas boas e santas não tem nada a ver com esta idolatria ou com o antigo culto a “divindades estrangeiras” proibidas para o povo de Israel por Moisés e outros Profetas.

Uma leitura atenta do livro do Padre Inácio aumentará em nós o amor a Igreja e a certeza de que ela é o caminho que Jesus quis para seus seguidores e nos empenhará mais no nosso amor para que o mundo creia no verdadeiro Jesus que testemunhamos.

Além disso, poderá nos ajudar a amar àqueles que equivocadamente nos deixaram (talvez por nossa culpa) e a realizar ações acolhedoras para que um dia possa haver um só rebanho e um só pastor.


Barra Mansa, Páscoa 2007.

Padre Hilário Canal, SVD

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Viver para sempre


A humanidade como nos ensinam hoje historiadores, antropólogos e sociólogos, nasceu ao ceder ao universo simbólico cuja expressão cultural é a linguagem e cujo horizonte é a percepção do sentido, que culmina em comportamento e atitudes do tipo ritual, hoje designados pelo que entendemos ser religião.

Está no cerne da religião o ensino de vida eterna, o viver feliz para sempre no paraíso.

É no fundamental do ensino sagrado que encontramos certeza da esperança de um mundo transcendental. Clama dentro de nós uma realidade muito melhor e perfeita do que está.

A Epopéia de Gilgamesh, uma saga mesopotâmica supostamente do segundo milênio a.C. descreve um herói em busca da juventude eterna. Os egípcios antigos mumificavam os mortos porque acreditavam que as almas eram imortais e que elas poderiam usar seus corpos outra vez. Por causa disso, colocava-se em alguns túmulos tudo o que os mortos talvez precisassem na suposta vida após a morte.

A crença dos alquimistas chineses na imortalidade física parece remontar pelo menos ao oitavo século a.C. e a possibilidade de obtê-la por meio de poções mágicas, ao quarto século a.C. Os alquimistas europeus e árabes da Idade Media procuravam e tentavam preparar seus próprios elixires da vida. Algumas de suas misturas continham sais de arsênio, mercúrio e enxofre. Sabe-se lá, quantos se envenenaram experimentando esses preparados!

Também houve época em que eram bem difundidas as lendas sobre a suposta Fonte da Juventude — uma nascente que, segundo consta, fazia com que todos os que bebessem dela voltassem a ter vigor.


Morte e Vida Eterna


Desde os tempos mais antigos, a humanidade sonha com a possibilidade de viver para sempre. Mas esse sonho ainda não se realizou — ninguém conseguiu encontrar um meio de e vencer a morte. Recentemente, porém, pesquisas na área médica renovaram a esperança de eu um aumento significativo na duração media da vida humana pode ser mesmo possível. Vejo o que está sendo realizado em vários campos da pesquisa cientifica.

Biólogos estão fazendo experiências com a enzima telomerase na tentativa de superar o aparente limite do número de vezes que as células se regeneram. Os cientistas sabem que as células velhas em deterioração são eliminadas e substituídas por células novas. Na realidade, durante a vida da pessoa a maior parte do seu corpo se renova varias vezes. Os pesquisadores acreditam que, se fosse possível prolongar o processo de renovação, “o corpo humano poderia regenerar-se por um tempo bem longo — até mesmo eternamente”.

A clonagem terapêutica, um campo de pesquisa polêmico, poderia, em tese, fornecer aos pacientes fígados, rins ou coração novos e perfeitamente compatíveis para transplante. Esses órgãos seriam produzidos com as células – tronco do próprio paciente.

Os pesquisadores da nanotecnologia prevêem um tempo em que os médicos vão inserir na corrente sanguínea da pessoa robôs do tamanho de uma célula, para encontrarem e destruírem células cancerosas e bactérias nocivas. Alguns acreditam que, com o tempo, esse campo da ciência, junto com a terapia genética, possibilitara ao corpo humano continuar se renovando indefinidamente.

Os que apóiam a crônica congelam o corpo das pessoas que já morreram. A idéia é preservar esses corpos até que os avanços na medicina permitam aos médicos curar doenças, reverter os efeitos do envelhecimento e restaurar a vida e a saúde aos mortos. A American Journal of Geriatric Psychiatry chama essa técnica de “equivalente moderno da mumificação praticada pelos egípcios antigos”.

A incessante busca do homem pela imortalidade mostra que é muito difícil para ele aceitar a idéia de que sua vida tem fim.

Escreve São Paulo Apostolo: “Eis porque, como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens porque todos pecaram. Se, com efeito pela falta de um só a morte imperou através deste único homem, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão na vida por meio de um só Jesus Cristo” (Romanos 5, 12.17).

O filosófico latino Sêneca (c.4.a.C. 65 d.C.).Dizia: “Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que te admires, durante todo a vida se deve aprender a morrer”.

O Dr. Aubrey de Crey, geneticista da Universidade de Cambridge, envolvido em pesquisas sobre como aumentar a duração da vida, observa: “Hoje em dia, as pessoas que têm um bom grau de instrução e tempo pra usá-la nunca ficam entediadas e não conseguem imaginar que algum dia se esgote, as coisas novas que gostariam de fazer”.

“Só as religiões têm a capacidade de dar um sentido à morte. Isso porque, para que a morte tenha um sentido, é preciso haver algo para além dela. E falar da “vida” para além da morte é entrar no campo religioso. Fora da religião a ,morte é o fim, é o sem sentido” afirma Jung Mo Sung, educador e professor em Ciências da Religião da PUC – SP.

Coloquemos toda a nossa vida no projeto de Cristo. Em Jesus, temos certeza que vamos viver para sempre. (João 14, 1-3). A eternidade nos espera. Lá, não haverá morte, luto, clamor e nem dor (Apocalipse 21,1-6).

Somente Jesus Cristo tem palavras de vida eterna (João 6,68;17,3). Nele viveremos para sempre a plenitude da vida abundante.


A RIQUEZA DO LIVRO


O imperador francês e um dos maiores gênios militares da história, Napoleão Bonaparte disse: “Mostre-me uma família de leitores, e lhe mostrarei o povo que dirigirá o mundo”.

Há quem diga que se conhece um excelente líder e um extraordinário profissional pela sua biblioteca.

Diga-me o que lês e te direi quem és.

Já dizia a Sentença latina, com toda a razão: “timeo hominem unius libri” (tenho medo de um homem que só lê um livro). Os romanos queriam dizer que, a pessoa que estabelece suas bases, a partir de um único autor, torna-se limitada e unilateral. Perde a visão de novas descobertas e ofusca novos horizontes.

Quem não lê sabe tanto quanto aquele que não sabe ler!

“Ler é crescer, acreditar e modificar. Leia mais, para ser mais”, afirma o filósofo e educador catarinense Huberto Rohden.



BIBLIÓFILO JOSÉ MINDLIN


Jornalista, advogado, empresário, fundador da Metal Leve, bibliófilo, editor, escritor, ex-secretário de cultura e agora imortal eleito para a cadeira 29 da Academia Brasileira de letras. Esse é José Mindlin, o homem das letras e das palavras. O homem dos livros raros e de conversa boa que encontra na literatura o grande prazer de viver, assim descreve a jornalista Cássia Fragata (1).

Nascido em São Paulo em 1914, no bairro do Paraíso, Mindlin tem atualmente em seu acervo pessoal cerca de 40 mil títulos e, neste 2007, a biblioteca completa 80 anos de existência. Sua Brasiliana, coleção de livros sobre o Brasil e de literaturas brasileira, chega hoje a 25 mil títulos e foi doada à Universidade de São Paulo em 2005.

Por sua longa trajetória de amor aos livros, Mindlin é dono da maior biblioteca particular do Brasil.

Na ABL, Mindlin vai continuar a estimular com todo vapor a propagação da leitura. Diz ele: “O vírus do amor ao livro é incurável, e eu procuro inocular esse vírus no maior número possível de pessoas”.

“Eu cresci num ambiente cultural, meus pais gostavam de artes plásticas, tínhamos uma biblioteca, e em casa se lia bastante. Acho que herdei a paixão deles por artes plásticas, de que eu também gosto, mas dirigida para o livro. Eu comecei a leitura de obras não infantis aos 12 anos. Aos 13 anos comprei o primeiro livro raro em um sebo. O interesse por livros não tem fim. É uma coisa absolutamente incurável”, afirma Mindlin.

Fala o ínclito mestre sobre a riqueza da leitura: “Posso dizer que não há nenhum livro que me arrependi de ter comprado, todos valeram a pena”.

“A leitura deve ser apontada, não só como fonte de conhecimento, mas principalmente como fonte de prazer”.

“A leitura dá uma satisfação íntima muito grande, acho que quem não lê não sabe o prazer que perde”.


INSTRUMENTO CULTURAL


“...Aquele que nos enriquece e ao mesmo tempo nos dá prazer”, diz Ítalo Moriconi, organizador de antologias.

Afirmava o paulista Monteiro Lobato: “O país se faz com homens e livros”.

Que é o livro? Para fins só estatísticos, na década de 1960, a UNESCO considerou o livro “uma publicação impressa, não periódica, que consta de no mínimo 49 páginas, sem contar as capas”.

O livro é um produto industrial. Mas também é mais do que um simples produto. O primeiro conceito que deveríamos reter é o de que o livro como objeto é o veículo, o suporte de uma informação. O livro é uma das mais revolucionárias invenções do homem.

Pode-se dizer que o livro é essencialmente um instrumento cultural de difusão de idéias, transmissão de conhecimentos., documentação (inclusive fotográfica e iconográfica), entretenimento ou ainda de condensação e acumulação do conhecimento. A palavra escrita venceu o tempo, e o livro conquistou o espaço. Teoricamente, toda a humanidade pode ser atingida por texto que difundem idéias que vão de Sócrates a José Mindlin.

Somente com as modificações sócio-culturais e econômicas do século XIX – quando o livro começou a ser utilizado também como meio de divulgação dessas modificações, e o conhecimento passou a significar uma conquista para o homem, que, segundo se acreditava, poderia ascender socialmente se lesse – houve um relativo aumento no número de leitores, sobretudo na França e na Inglaterra, onde alguns editores passaram a produzir, a preços baixos, obras completas de autores famosos. O livro era então interpretado como símbolo de liberdade, conseguida por conquistas culturais.

A televisão transformaria o mundo inteiro em uma grande “aldeia” (como afirmou Marshall McLuhan),no momento em que todas as sociedades decretassem sua prioridade em relação aos textos escritos.

Nenhum avanço técnico-científico eletrônico, vai produzir um aparelho que tenha a força de substituir o poder do livro.

A mensagem (racional, prática ou emocional), de um livro é sempre intelectual e pode ser revivida a cada momento.

O conteúdo, estático em si, dinamiza-se em função da assimilação das palavras pelo leitor, que pode discuti-los, reafirmá-las, negá-las ou transformá-las. Por isso, o livro pode ser considerado um instrumento cultural capaz de liberar informações, sons, imagens, sentimentos e idéias através do tempo e do espaço.

“A gente passa e os livros ficam. Quem pega a doença de gostar deles tem prazer a vida toda”, diz José Mindlin.



O MAIOR LIVRO DO MUNDO


O renomado escritor inglês, Walter Scott, é autor de uma série de livros mundialmente conhecido. Quando, moribundo, jazia em seu leito, pediu a seu filho mais velho: “Dê-me o Livro!” Á pergunta a qual livro o pai se referia, Scott respondeu: “Há somente um livro que pode ser chamado “o livro”, isto é, a Bíblia!”.

O insigne teólogo inglês e considerado ‘Príncipe dos Pregadores’ Charles H. Spurgeon, depois de ler a Bíblia 100 vezes disse: “Á centésima vez achei-a incomparavelmente mais preciosa que á primeira”.

Todo ano, são publicados cerca de dois mil livros com conselhos sobre vários assuntos importantes. Só na Grã-Bretanha, os leitores chegam a gastar 80 milhões de libras (cerca de 150 milhões de dólares) por ano em livros que dão conselhos sobre como lidar com os desafios da vida. Nos Estados Unidos, a venda de livros de auto-ajuda gera cerca de 600 milhões de dólares por ano.

A respeito dos conselhos encontrados nessa montanha de publicações, certo pensador disse: “Muitos dos novos livros são simplesmente uma repetição do que já foi escrito”. Realmente, grande parte dos conselhos nesses livros apenas reproduz a experiências e a sapiência escrita num dos livros mais antigos que existe. Ele é de longe o livro de maior distribuição no mundo. Foi traduzido ou em partes em uns 2.400 línguas. No total, mais de 4,6 bilhões de cópias foram impressas no mundo inteiro. Que livro é esse? Não pode ser outro senão a Bíblia Sagrada, a Santa Palavra de Deus. A Sagrada Escritura está disponível para mais de 90 por cento da população mundial. Em média, mais de uns milhão de Bíblias são distribuídas por semana!

A Bíblia Sagrada é a grande dádiva do bom Deus para a humanidade. É o melhor livro de presente que o ser humano pode dar ou receber. É o tesouro do conhecimento que preenche a mente e o coração e que nos leva à eternidade.

Seus poderosos ensinos e conselhos dão maravilhosos resultados, não importa qual seja o grau de escolaridade ou a formação étnica e cultural da pessoa.

O dramaturgo e o maior poeta alemão Johann W. von Goethe afirmou: “Se estivesse a ser posto em prisão e pudesse levar um livro somente, escolheria a Bíblia”.

CONCLUSÃO

Escreveu o intelectual pernambucano e membro da Academia Brasileira de Letras Marco Maciel: “O livro é o nosso eterno amigo” (2).
Como é bom ter amizade com pessoas que gostam de ler e tenham amor aos livros.
Maravilhoso é ter amigos que são verdadeiros amigos de bibliotecas. Como é bom aprender com eles.
Um ótimo sinal que se ver em uma pessoa para um abissal relacionamento, é se ela tem ‘vícios’ da leitura. Ter familiaridade com livros e ter comunhão com o próximo.
Encontrar gente que goste de música clássica, livros, arte e projetos culturais, é o mesmo que encontrar um anjo bom, mandado do céu pelo Criador.
O grande educador mineiro e antropólogo Darcy Ribeiro disse: “A leitura é a carne do meu espírito. Sou feito de livros”.
O livro é uma poderosa ferramenta que ajuda formar intelectuais.
Nada, absolutamente nada, pode substituir essa catedral do saber. O livro, somente o livro, é tudo para hoje e para sempre.
Quem ama o livro, ama a si mesmo, ama a todos e o que ainda não foi revelado.
O livro é o fausto e o esplendor para mente que deseja poder e glória, todavia, não pode esquecer que deve ser usado com a sabedoria da humildade e simplicidade.
O livro é o colosso da alta inteligência humana. O livro muda a vida e o mundo.
“Um livro aberto é um cérebro que fala.
Fechado, um amigo que espera.
Esquecido, uma alma que perdoa.
Destruído, um coração que chora...”

Autor desconhecido.

REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA
  1. Diálogo Médico, janeiro/fevereiro, 2007, pp.27-29

  1. Jornal do Brasil, 21/06/2007, p.A11

  1. Rohden, Huberto. Paulo de Tarso, O Maior Bandeirante do Evangelho, São Paulo: Martin Claret, 2005

  1. CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã, São Paulo: Vida Nova, 1995.


Ser Cristão


Santo Inácio foi o segundo bispo, de, pois de São Pedro Apóstolo, na Sé de Antioquia. Condenado a ser lançado às feras no Coleseu de Roma, empreendeu a longa viagem que havia de torná-lo o exemplo dos mártires.

Escreveu sete cartas que são um precioso testemunho da santíssima fé cristã nos últimos anos do século I. A carta à Igreja de Roma, sobretudo, ficou como,um modelo para todos os mártires.

Sabendo que se fariam tentativas de salva-lo da morte, escrevia: “Pelo que me toca, escrevo a todas as igrejas, e a todos encareço que estou disposto a morrer de boa vontade por Deus, com tal que não o impeçais. Eu vos suplico: não mostreis comigo uma caridade importuna. Permiti-me ser *** das fera, pelas quais me é possível alcançar a Deus. Trigo sou de Deus, e pelos dentes dos leões devo ser moído, a fim de ser apresentado como *** limpo a Cristo. Excitai antes às feras, para que consertam em meu sepulcro e não deixem *** de meu corpo... então serei verdadeiro discípulo de Jesus, Cristo...”. Em 20 de dezembro de 107 cumpriram-se os desejos de Santo Inácio.

Pela sua fé, amor e obediência a Cristo e pelo seu heroísmo, só podem ter saído do seu coração essa exortativa frase: “É preciso não só levar o nome de Cristo, mas ser de fato”.

Disse Jesus Cristo: “Este é o meu mandamento: ama-vos uns aos outros como eu voa amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos se praticais o que vos mando” (Jô 15,12-14). Este é o maior ensinamento de Cristo para seus seguidores. As doutrinas de Jesus de Nazaré afetavam todos os aspectos de suas vidas, os discípulos de Jesus Cristo inicialmente se referiam à sua comunidade de como o “Caminho” (Atos 9,2). No decorrer da proclamação da palavra de Cristo, em Antioquia, Capital da província romana da Síria, terceira cidade do Império Romano depois de Roma e Alexandria. Os discípulos de Jesus Cristo, foram a chamados pela primeira vez de “cristãos” (Atos 11,26). Isto é, partidários ou sectários de Cristo (grego Christós, forma popular Chrestós). Ao criarem esta alcunha, os gentios de Antioquia tomaram o título de “Cristo” (Ungindo, Messias) por um nome próprio. Daí cristão, cristianismo ou Religião Cristã.

Esse novo nome adotado pelos discípulos mostrava que eles acreditavam em Jesus como sendo o Filho de Deus, aquele que foi enviado para fazer a vontade do Pai e pregar o evangelho e realizar o projeto do Reino de Deus. Essa verdade revelada levou-os a praticar um comportamento de vida totalmente diferente dos judeus e dos pagãos.

Os divinos ensinamentos do Cristo de Deus (Lc 9,20), motivaram seus discípulos a seguir seus mandamentos que envolviam evitar toda forma de injustiças, corrupção, depravação moral e coisas semelhante.


O que é Ser Cristão?


Ser cristão é acreditar que Jesus Cristo é filho do deus vivo (Mt 16,13-16), é Deus (Jô 10,30), é o Salvador (Lc 1,47;19,10) e viver por amor seus ensinamentos.

Ser cristão é seguir as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12), ser o sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-.14), é amar os inimigos (Mt 5,44), é ser santo (Mt 5,48), é servir a Deus e não ao materialismo (Mt 6,24), é ter palavra, ser sincero de coração (Mt 5,37; 7,21-23), é ser simples e prudente (Mt 10,16), é ser fermento na massa (Mt 13,33), é ser vinho novo em *** novos (Mt 9,17), é ser uma nova criatura (II cor ,17), é ser um estudioso da palavra de Deus (mt 22,29; Jô 5, 39). Dizia São Jerônimo (c. 340-420): “Ignorar as Escrituras Sagradas é ignorar a Cristo”.

Ser cristão é ser evangelistas e missionários da Boas Nova de salvação. É obedecer a ordem de cristo: “Ide, portanto, e fazei que toda as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quando vos ordenei (Mt 28,19.20). Ide por todos o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). O egregio professor da Universidade de *** em Paris, Jean Bernardi fez a seguinte reflexão: “Os Cristãos deviam sair e falar em toda a parte e a todos. Nas estradas e nas cidades, nas praças públicas e nos lares. Bem vindos ou não bem vindos.a pobres e a ricos sobrecarregados com seus bens... “Eles tinham de viajar pelas estradas, embarcar em navios e ir até os confins de terra”.

Ser cristão é ter a responsabilidade de não pregar só com as palavras e sim com o seu exemplar testemunho de vida. Exclamava o renomado pregador Santo Antônio de Pádua (11 95-1231): “ Cessem as palavras, falem as obras”.

Os verdadeiros cristãos praticam os ensinamentos do seu divino Mestre.

“Se compreendestes isso e o praticardes, felizes sereis” (Jo 13,17).


A Moral Cristã


O ilustre historiador E. W. Barnes em seu livro The Rise of Christianity (A Ascensão do Cristianismo), escreve: “Nos seus primeiros documentos abalizados, o movimento cristão é representado como essencialmente moral e acatador da lei. Seus membros desejavam ser bons cidadãos e súditos leais. Evitavam as falhas e os vícios do paganismo. Na vida particular, procuravam ser pacíficos e amigos fidedignos. Eram ensinados a serem sóbrios diligentes e a levar uma vida limpa. No meio da corrupção e da licenciosidade prevalentes, quando leais aos seus princípios, eles eram honestos e *** . Seus padrões sexuais eram elevados: o vínculo marital era respeitado e a vida familiar era pura”. Essas eram algumas qualidades que identificavam a vida dos primeiros cristãos.

A historiadora Elaine Pagels afirma: à medida que o movimento cristão surgia no império Romano, ele desafiava também os conversores pagãos a mudar as suas atitudes e o seu comportamento. Muitos pagãos que, por formação, encararam o casamento essencialmente como arranjo social e econômico, as relações homossexuais como componente normal da educação masculina, a prostituição, tanto masculina como feminina, como algo comum e legal, e o divórcio, o aborto, a contracepção e o abandono (levando à morte) de bebês indesejados como medidas praticas, abraçaram, para espanto de suas famílias a mensagem cristã, que se opunha a essas praticas”.

Devido a vida santa dos discípulos de Jesus Cristo e a pregação cristã contra todo tipo de pecado que dominava a sociedade, os cristãos eram perseguidos e martirizados. Vociferava o advogado e grande apologista da fé cristã Tertuliano (C. 160-220): “Nunca houve entre os cristãos um revoltado, um conspirador, um assassino”. “Nós nos multiplicamos quando nos ***”. “Sanguis Martyrum este sêmen Christianorum”, (o sangue dos mátires é a semente da Igreja).

Escreve São Paulo Apóstolo: “Todos os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão perseguidos (II Tm 3,12).

Conclusão

A nossa inteligência iluminada pela fé, temos razões suficientes para seguir Jesus de Nazaré, o maior homem que já existiu na face da terra.

O escritor francês Ernest Renan fez a seguinte afirmação: “Na área religiosa, Jesus é a figura mais genial que jamais viveu. Seu brilho é de natureza eterna e seu reinado jamais acaba. Ele é único em qualquer sentido e não pode ser comparado a ninguém. Sem Cristo não se entende a história”.

Sem Cristo não teríamos o Natal Domingo de Ramos, Semana Santa, Domingo de Páscoa, salvação e o mundo estaria envolto em trevas sem a divisão da história, antes e depois de Cristo.

A Sagrada Escritura nos ensina que Cristo é maior que tudo e todos. Só na carta aos hebreus encontramos as seguintes afirmação:


  • Jesus é maior que os anjos (Hb 1,1-4).

  • Jesus é maior que ao sacerdócio de Arão (b 4,14-16; 7,20-28).

  • Jesus é maior que as revelações do Antigo Testamento (Hb 7,1-3; 8,1-13).

  • Jesus é maior que todos os santuários e sacrifícios do Antigo Testamento (Hb 9.1; 1-25; 10,1-18).

  • Jesus é o Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12,1-3).


O dramaturgo suíço Friedrich Dürenmatt reconhecem sua obra “Os Físicos”: “Quando deixei de temê-lo, minha sabedoria destruiu minha riqueza”. Mas quem tem a Jesus é possuidor de toda a riqueza: “porque, e tudo, fostes enriquecidos nele”. (I Cor 1,5).

Quem é discípulo de Jesus Cristo é detentor da sabedoria de deus (I Cor. 1.24) e de todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2,1-3).

Ser cristão é um grande milagre da graça de Deus e a firmeza da nossa fé em Cristo (cl 2,5).

Bibliografia

Cechinato, Luiz. Os vinte séculos de caminhada da Igreja, Petropolis: Vozes, 1996.
Cairns. Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma história da Igreja Cristã, São Palo: vida Nova, 1995.
Aquino, Felipe. Porque sou católico, Lorena: Cléofas, 2002.
Lieth, Norbert. Conheça Jesus: único, incomparável, maravilhoso, Porto Alegre: Atual, 2002.
Palacín, S.J. Calor e Piranechi, Nilo, Santo nosso de cada dia, rogai por nós! Santoral popular, São Paulo: Loyola, 1991.


A VITÓRIA DA RELIGIÃO


Numa sociedade em que a Religião autêntica é ensinada e praticada, não há espaço para injustiças, corrupção e a barbárie.

Não podemos confundir a Religião verdadeira com o misticismo irracional, crendices, fetiche e superstições.

“A Religião bem entendida, enquanto é um “religar o homem com o Infinito e Absoluto”, é um bem; corresponde à sede que todo homem experimenta, de vida plena, de Verdade sem erro, de amor sem traição... Por isto todo ser humano traz em si uma religiosidade inata, que se exprime nos diversos Credo da humanidade”, afirma o teólogo dom Estevão Bettencourt, OSB (1).

“Será que a religião não é uma doença mental e contagiosa?” Pergunta o biólogo Richard Dawkins.

O escritor e jornalista francês Georges Suffert afirma: “A fé, a devoção são tão contagiosos quanto o mal”.

Realmente, essa ‘coisa de religião’ pega mesmo e pega pra valer. Quantas pessoas não estão contaminadas pelo vírus do amor de Jesus Cristo. Quantas pessoas não estão contaminadas pelo amor, pela sabedoria, inteligência e santidade de Maria de Nazaré, São Paulo Apóstolo, São Basílio Magno, Santo Agostinho, São Bento, São Francisco de Assis, Santa Teresa de Ávila, Santo Inácio de Loyola, São João Bosco, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Pio de Pietrelcina e o Papa São Paulo II.

O contágio da religião é poderosíssimo. É óbvio, temos que canalizar esse poder para o bem.

Obturar o fanatismo religioso é tarefa de todos nós. É nosso dever, promover a correta Religião para o bem espiritual e social da humanidade.

“A mulher disse a seu marido: Olha: sei que Eliseu é um santo homem de Deus este que passa sempre por nossa casa. Façamos para ele, no terraço, um quarto de tijolos, com cama, mesa, cadeira e lâmpada; quando vier à nossa casa, ele se acomodará lá” (II Reis 4,8-10).

Não existe no mundo poder tão grande de contágio do que o testemunho de pessoas santas. É impossível saber o número de pessoas convertidas a santíssima fé cristã, pelos testemunhos de cada santo ou santa. Só o bom Deus sabe!

A Religião não é uma doença, e sim uma atitude mental de inteligência, congênita á natureza humana que conecta a alma ao transcendental.

A força moral, a fé e a devoção do ser religioso, é mais contagioso do que o mal.

O famoso líder indiano Mahatama Gandhi (1869-1948) disse: “Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus”. E com a sua afirmação esplêndida sobre os ensinos de Jesus Cristo, no Sermão do Monte: “Se seguíssemos os ensinos desse sermão, ‘resolveríamos os problemas do mundo inteiro”. Oh! Bem contagioso!!!

O ser intelectual, compreende que a singularidade da Religião é o fator de encontro da realidade humana. É impor na imensidão do interior humano. É o imensurável da alma.

Em um artigo da revista American Sociological Review, em fevereiro de 2000, dizia: “Provavelmente a espiritualidade sempre será parte da vivência humana”.


OS MAUS PROFETAS


A religião foi atacada impiedosamente no século XIX, por vários movimentos como: positivismo, racionalismo, materialismo e comunismo.

Foram criados termos filosóficos, biológicos, psicológicos, sociológicos e políticos, para desferir ataques violentos contra a Religião.

O teórico do positivismo francês Auguste Conte (1798-1857), sonhava pregar o racionalismo na Cadetral de Notre-Dame e fez de tudo para abolir a fé cristã. O naturalista inglês Charles Darwim (1809-1882), autor da teoria da evolução. Em 1859, publicou o livro ‘Origem das Espécies’. Segundo ele, o homem descende do macaco e não da criação divina. Karl Marx (1818-1883), filósofo e economista alemão, mentor do consumismo, disse que a religião é o ópio do povo. Sigmund Freud (1856-1939), psiquiatra austríaco e fundador da psicanálise. Afirmou que a religião é um produto da imaginação neurótica do homem. O filosofo alemão Friedrich Nietzsche disse que Deus está morto. Bertrand Russel (1872-1970), filósofo inglês disse que seria bom se, com o tempo, todo tipo de crença religiosa desaparecesse. Jen-Paul Sartre (1905-1980), pai do existencialismo francês, foi um dos últimos coveiros do sagrado. Disse: “Mesmo que Deus existisse, seria necessário rejeita-lo, pois a idéia dele nega a nossa liberdade”. Que coisa terrível! Faz lembrar o pensamento do escritor russo Fiódor Dostoievski (1821-1881), “se não há Deus, tudo é permitido”.

Dostoievski afirmou: “o ateísmo, a maior tragédia existente no mundo, nada mais é do que a aposta na decomposição do indivíduo vivo”.*

Ideólogos que vaticinaram a decadência e o fim da Religião, enganaram-se vergonhosamente e foram maus profetas.

As ideologias anti-religiosas, foram catastróficas nas sociedades onde elas predominaram. A historiadora e especialista em religiões, a inglesa Karen Armstrong diz: “O holocausto nos mostrou que uma ideologia secularista pode ser tão mortífera quanto qualquer cruzada religiosa”.

É impossível acabar com a Religião. Primeiro, teria que acabar com o senso religioso do sagrado, que está impregnado no espírito da raça humana. Segundo, colocar no lugar algo mais poderoso, que eliminasse a sede pelo transcendental.

O teólogo Rudolf Otto, autor de ‘O Sagrado’, defendeu a teoria de que o sagrado existe por si só e as religiões são respostas a essa existência. Os homens não criam nada nesse campo e as manifestações religiosas, mesmo moldadas pelo filtro da cultura, são uma simples reação a uma dimensão que já existe(2).


RELIGIÃO E CIÊNCIA

Vivemos a era dos grandes projetos científicos. A era tecnológica vai progredir sem precedentes.

Depois da clonagem da ovelha Dolly, no início de 1997, podemos esperar coisas espantosas.

Fala-se que a medicina mudou mais nos últimos cinqüenta anos que nos cinqüenta séculos precedentes.

O avanço tecnológico aliado ao capitalismo, passou para humanidade, uma falsa esperança que todos os problemas seriam solucionados.

Problemas graves e acontecimentos catastróficos são notícias comuns no mundo inteiro.

Cerca de 800 milhões de pessoas no mundo vão dormir com fome todos os dias. Mais de 100 milhões de pessoas perderam a vida em guerras no século XX. Estoque de bombas nucleares é suficiente para destruir a humanidade muitas vezes. Violência urbana, guerras civis, tráfico de drogas, tráfico de armas e o terrorismo ameaça todo o mundo.

A aids tornou-se a mais devastadora pandemia na história da humanidade. A depressão, o medo, o câncer e as doenças do coração causam terríveis sofrimentos em todo o mundo.

Segundo o historiador inglês Eric J. Hobsbawm, o século XX, foi a ‘Era dos Extremos’. Para o historiador britânico Arnold Toynbee, ele chama o século XX: a ‘Era dos Tumultos’, “da qual a nossa civilização de forma alguma conseguiu sair”.

“Acredita-se que a ciência resolveria todos os males e seria o instrumento para melhorar o mundo. Ela criou uma série de aspirações e expectativas que não conseguiu satisfazer”, resume, Lísias Nogueira Negrão, sociólogo e estudioso da religião da Universidade de São Paulo (3).

Temos muito respeito pelas grandes realizações científicas e pelo progresso da ciência. Porém, sabemos que a ciência não é a única fonte de conhecimento. O objetivo da ciência é descrever fenômenos naturais e procurar explicar como eles ocorrem.

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*Crítica e Profecia – A filosofia da Religião de F. Dostoievski. Editora 34, p.83.


A ciência possibilita que tenhamos um conhecimento mais profundo do Universo físico, ou seja, de tudo o que é observável. Mas por mais avançada que seja a investigação cientifica, ela nunca poderá responder ás questões sobre o propósito – o porque da existência do Universo.

“Há perguntas para as quais os cientistas nunca encontrarão respostas”, comenta o escritor Tom Utley. “Digamos que o big bang tenha ocorrido há 12 bilhões de anos. Mas por que ocorreu? ... De onde vieram as partículas envolvidas na explosão? E o que havia antes disso?” Utley conclui: “Parece... mais claro do que nunca que a ciência jamais satisfará nossa sede de obter respostas a tais perguntas.”

O conhecimento cientifico adquirido graças a tal sede de saber, longe de refutar a existência de Deus, apenas serviu para confirmar que vivemos num mundo espantosamente complexo, intrincado e assombroso. Muitas pessoas de reflexão acham plausível concluir que as leis físicas e as reações químicas, bem como o DNA e a incrível variedade da vida, apontam para um Criador. Não há prova irrefutável em contrário.

O biólogo molecular Francis Collins explica como a fé, a espiritualidade ajudam a preencher o vazio deixado pela ciência: “Não espero que a religião seja capaz de seqüenciar o genoma humano, da mesma forma que não espero que a ciência me revele o conhecimento do sobrenatural. Mas para questões que são de grande relevância e interesse, como ‘Por que existimos? Ou ‘Por que o homem busca a espiritualidade?’, acho que a ciência deixa a desejar. Muitas supertições surgiram e com o tempo desapareceram. A fé permanece viva, o que sugere que ela se baseia em realidade.”

A Religião autêntica, ao responder à questão do porquê e explicar o sentido da vida, também apresenta padrões para valores, moral, ético e espiritual, bem como a precisa orientação na vida. O preclaro cientista Allan Sandage fez a seguinte declaração: “Não vou consultar um livro de biologia para encontrar orientação para a vida”.

Não podemos condenar a religião pelo mau uso de alguns líderes religiosos e políticos. Também, não podemos condenar a ciência pela produção de terríveis instrumentos de guerras, com armas biológicas, bacteriológicas, química, gás venenoso, mísseis, bombas “inteligentes” e bombas nucleares.

“A ciência sem a religião é aleijada: a religião sem a ciência é cega”, disse o cientista alemão Albert Einsten (1879-1955). E o Papa João Paulo II afirmou: “A ciência pode purificar a religião do erro e da superstição. A religião pode purificar a ciência da idolatria e do falso absolutismo.” (4)

RELIGIÃO E SAÚDE

Estudos e pesquisas cientificas recentes demonstram que a crença melhora a qualidade de vida das pessoas, previne doenças e, em alguns casos, pode até mesmo acelerar o tempo de recuperação após um delicado tratamento cirúrgico. Desde a década de 80, universidades e institutos respeitados internacionalmente têm investido mais tempo e dinheiro para medir os possíveis efeitos da crença religiosa. A ciência tenta compreender as possíveis reações que a crença pode desencadear no organismo. Os mais de 200 estudos realizados até agora apontam que ela traz benefícios concretos à saúde física e mental, desde atenuar problemas cardíacos até ajudar no combate à dependência química e ao câncer. “Se o paciente e sua família têm uma crença, recomendo que capitalizem essa energia positiva”, diz o neurocirurgião Jorge Pagura, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

Segundo os trabalhos científicos realizados, a fé ajuda o paciente a reagir e ela é tão palpável que desencadeia no organismo reações semelhantes à de emoções como afeto, amor ou tranqüilidade(5) Faz lembrar o pensamento de São Francisco de Assis que diz: “onde há paz e meditação não há nervosismo nem dissipação”.

O cardiologista americano Dean Ornish, médico de várias celebridades, afirma: “A sobrevivência saudável está intimamente ligada a fatores que por muitos anos consideramos do domínio das religiões ou dos gurus orientais”, e diz mais: “Refiro-me aos fatores subjetivos, como a meditação, a oração e a busca da intimidade”.

No Brasil, começaram a surgir os primeiros grupos formais de estudos nessa área, como o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espiritualidade e Religiosidade, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. “Hoje existem relatos de cura espontânea ou regressão até de câncer em pessoas de muita fé”, afirma o neuro-psiquiatra Franklin Antonio Ribeiro, um dos integrantes do grupo.

O cardiologista americano Herbert Benson, da reputada Universidade Harvard, estudou durante cinco anos pacientes que aprenderam técnicas de meditação para tentar controlar suas doenças coronárias crônicas. Ao cabo de cinco anos, Benson notou que os pacientes que meditavam disciplinadamente todos os dias tiveram taxas de recuperação superiores às do grupo de doentes que nunca levaram a sério a meditação.

O objetivo dessas novas pesquisas é tentar medir o que acontece na mente das pessoas quando elas se sentem em transe religioso ou num estado de elevação espiritual. Os cientistas mediram, com a ajuda de equipamentos especializados, quais regiões do cérebro são ativadas durante as preces e meditações. No livro Por que Deus Não Vai Embora, o radiologista Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, descreve o resultado da que é considerada a mais bem sucedida dessas medições.

Newberg e seu colaborador Eugene d’Aquili recrutaram budistas tibetanos e freiras franciscanas que aceitaram ser cobaias de um experimento. Eles foram submetidos a exames de tomografia computadorizadas que mediram as alterações físicas de seu cérebro nos momentos de êxtase religioso. As imagens do cérebro dos budistas mostraram que o córtex frontal, a área de atenção cerebral, foi especialmente ativado naqueles instantes. Por outro lado, os neurônios do lobo superior parietal, região conhecida como a área que controla as funções visuais e motoras do ser humano, foram desligados. Ainda é cedo para entender as implicações dessas experiências. Mas os cientistas consideram enorme avanço conseguir observar numa tela de tomógrafo “as impressões digitais químicas e elétricas da fé”, como descreveu Newberg.

O envolvimento de pesquisadores de universidade renomadas como Colúmbia e Harvard, no estudo das interações entre a religião e a ciência está se dando num nível bem superior ao dos simples instrumentos de medição.

“Fizemos assombrosos avanços, mas temos de reconhecer que a ciência não respondeu a alguns dos enigmas básicos, como a origem da vida e do Universo”. Diz o pesquisador e ensaísta americano Stephen Jay Gould(6).

O famoso psiquiatra e psicólogo suíço, Carl Gustav Jung (1875-1961), afirmou de forma monumental o poder de cura na Religião. “Todos, em última instância, estavam doentes pôr terem perdido aquilo que uma religião viva sempre deu aos seus adeptos, e nenhum se curou realmente sem recobrar a anterior atitude religiosa”.


CONCLUSÃO


A verdadeira Religião, detentora da Divina Revelação, tem todas as respostas para o sentido da vida, do Universo e do futuro da humanidade.

O Senhor Deus, Pai Eterno e Criador de todas as coisas, tem reservado para seus filhos, um lugar sublime e eterno (Gênesis 1,1; Salmo 19; Romanos 1,18-20).

“Tudo foi ouvido. Teme a Deus e observe seus mandamentos, porque este é o dever de todo homem” (Eclesiastes 12,13).


REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA


(1) Pergunte e responderemos, fevereiro de 2007.p. 52.
(2) Veja, 25/12/2002.p.119.
(3) Idem, p.117.
(4) Mundo e Missão, março de 2005.p.17.
(5) Revista Tudo, 04/10/2002.p.25.
(6) Veja, 19/12/2001.pp.130-132.
CROSSAM, John Dominic. O Jesus Histórico, Rio de Janeiro: Imago, 1994.
ZUURMOND, Rochus. Procurai o Jesus Histórico? São Paulo: Loyola, 1998.
VANIER, Jean. Jesus, O Dom do Amor, São Paulo: Paulinas, 2004.
SUFFERT, Georges. Tu és Pedro: A História dos Primeiros 20 Séculos da Igreja Fundada por Jesus Cristo, Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
MORRIS, Richard. O Que Sabemos Sobre o Universo, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.
PATFOART, Albert. O Mistério do Deus Vivo, Rio de Janeiro: Lumer Chisti, 1983.
TELES, Antonio Xavier. Introdução ao Estudo de Filosofia, São Paulo: Ática, 1984.
RUSSEL, Bertrand. História do Pensamento Ocidental, Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
JAMMER, Mas. Einstein e a Religião, Rio de Janeiro: Contraponto, 2000.
J. BEHE, Machael. A Caixa Preta de Darwin, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e Martins, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução á filosofia, São Paulo: Moderna, 1986.
PIMENTEL, Iago. Noções de Psicologia, São Paulo: Melhoramentos, 1975.
JOHNSON, Paul. História do Cristianismo, Rio de Janeiro: Imago, 1995.
VERMES, Geza. A Religião de Jesus, o Judeu, Rio de Janeiro: Imago, 1995.



Pe.Inácio José do Vale

Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo

Professor de Historia da Igreja

Faculdade de Teologia de Volta Redonda


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